Se nós acreditarmos na ideia de que somos seres impregnados de tudo por que passamos, o resultado de todas as experiências que nos deparamos ao longo de nossa história, sem podermos isolarmos nenhuma tipo de “fator” do que somos, seja ele social, psicológico, econômico, físico, etc etc; não podemos assim diminuir pequenas situações cotidianas de nossas vidas a reles “momentos” ou reduzi-los a meras exceções contingentes de um mundo previsível. As situações menos importantes nesse sentido, muitas vezes, podem nos dizer bem mais do que os grandes eventos da humanidade.
Comprar pão na padaria, por exemplo, é digno da nossa atenção (quando possível). A mim esta é uma situação repleta de emoções disrruptivas e representativa de tendências seletivas dentro de um universo de significados e categorias complexas do que se poderia chamar “estrutura social” (às vezes a expressão me dá arrepios, como muitas vezes também a “estado de arte” não cative um sentimento positivo quando ouço, embora sejam em níveis bem distintos).
A escolha do pão na padaria - e essa é uma hipótese quase que confirmada segundo pesquisas que venho desenvolvendo intimamente - pode ser um sinal evidente do racismo, cultivado na sociedade brasileira desde que se resolveu chamar isso aqui daquilo ali, ou seja, desde sempre. A escolha entre um “mais escurinho” e um “mais clarinho”, é um sinal claro de que fazemos escolhas muitas vezes baseadas em preferências sociais.
É certo que pode-se argumentar que a preferência por um outro tipo de pão (ainda mesmo quando só consideremos esse parâmetro de diferenciação) é resultado simplesmente de uma escolha resultante de um gosto gastronômico específico, produzindo pessoas que apreciem mais o gosto do pão mais queimadinho e o de um pão mais rapidamente assado. Entretanto, e ainda por resultados de pesquisas genialmente desenvolvidas pela minha pessoa, comprovo que o gosto entre os dois tipos considerados não se distinguem, e que se alguém provar o tipo de que diz não apreciar o sabor o fizer com os olhos fechados, esta pessoa se envergonhará de saber que não há diferenças entre os nacos de um ou de outro.
Devo dizer que a relação citada não expressa uma escolha diretamente proporcional ao racismo cultivado por quem escolhe. Não quer dizer, pelo menos não necessariamente, que aquele que escolhe um pão “mais queimadinho” o faz por ser ativista do movimento negro, e que o escolhedor diametralmente distinto prefira o “mais braquinho” por ser simpático à exclusão social baseada na raça. Aí os amigos psicólogos podem me ajudar com a interpretação da líbido dos escolhedores a partir da cor do pão que escolhem comer. Por exemplo, não se pode excluir do campo do possivel que uma modesta e discreta senhora de meia idade não escolha seus simples pãezinhos “mais escurinhos” por um estímulo sexual que direciona sua libído para o homem negro, o qual, por sua vez, é tido como a representação maior da virilidade (vide filmes pornôs que trazem como única possibilidade de virilidade o homem negro, relacionando o tamanho do seu pênis com aquela, constituindo o ideal de “animal sexual”).
Para aquele que achar uma bobagem de alguém que nada tem a fazer no seu dia-a-dia, ou que o tempo compreendido entre sua tarefas é a oportunidade adequada a entregar-se a devaneios inúteis, acho que deveria pensar melhor. Caso seja pertinente meu questionamento, seria prudente investigar por que somente esse tipo de variação é encontrado na oferta de pãezinhos nas padarias Brasil afora, sendo possível conformações paníficas as mais variadas possíveis, superando a cruel dicotomia queimadinho/clarinho. Àquele que acha que não existe racismo no Brasil, por favor lei o Ali Kamel, e poderá confirmar (através da inversão das conclusões, obviamente) que rapidamente entenderá o quão embrenhada em nossos espíritos essa bizarrice está.
Algumas hipóteses podem ser tiradas dessas parcas reflexões sobre o tema, o qual carece, obviamente, de sujeitos que pensem longamente sobre o assunto. Todavia, a questão não pode ser freada em um estágio ainda gestacional, e deve garantir-se que se desenvolva e busque respostas adequadas às importantes questões aqui mostradas. Se você acha que nada tem a ver com essa história e que tem um gosto independente de toda a exclusão social e preconceitos que bóiam na gordura fétida que é a nossa consideração sobre o outro, pense bem antes de escolher o seu pãozinho na padaria. Não se assuste se (ou quando) se perceber um racista daqueles!
Comprar pão na padaria, por exemplo, é digno da nossa atenção (quando possível). A mim esta é uma situação repleta de emoções disrruptivas e representativa de tendências seletivas dentro de um universo de significados e categorias complexas do que se poderia chamar “estrutura social” (às vezes a expressão me dá arrepios, como muitas vezes também a “estado de arte” não cative um sentimento positivo quando ouço, embora sejam em níveis bem distintos).
A escolha do pão na padaria - e essa é uma hipótese quase que confirmada segundo pesquisas que venho desenvolvendo intimamente - pode ser um sinal evidente do racismo, cultivado na sociedade brasileira desde que se resolveu chamar isso aqui daquilo ali, ou seja, desde sempre. A escolha entre um “mais escurinho” e um “mais clarinho”, é um sinal claro de que fazemos escolhas muitas vezes baseadas em preferências sociais.
É certo que pode-se argumentar que a preferência por um outro tipo de pão (ainda mesmo quando só consideremos esse parâmetro de diferenciação) é resultado simplesmente de uma escolha resultante de um gosto gastronômico específico, produzindo pessoas que apreciem mais o gosto do pão mais queimadinho e o de um pão mais rapidamente assado. Entretanto, e ainda por resultados de pesquisas genialmente desenvolvidas pela minha pessoa, comprovo que o gosto entre os dois tipos considerados não se distinguem, e que se alguém provar o tipo de que diz não apreciar o sabor o fizer com os olhos fechados, esta pessoa se envergonhará de saber que não há diferenças entre os nacos de um ou de outro.
Devo dizer que a relação citada não expressa uma escolha diretamente proporcional ao racismo cultivado por quem escolhe. Não quer dizer, pelo menos não necessariamente, que aquele que escolhe um pão “mais queimadinho” o faz por ser ativista do movimento negro, e que o escolhedor diametralmente distinto prefira o “mais braquinho” por ser simpático à exclusão social baseada na raça. Aí os amigos psicólogos podem me ajudar com a interpretação da líbido dos escolhedores a partir da cor do pão que escolhem comer. Por exemplo, não se pode excluir do campo do possivel que uma modesta e discreta senhora de meia idade não escolha seus simples pãezinhos “mais escurinhos” por um estímulo sexual que direciona sua libído para o homem negro, o qual, por sua vez, é tido como a representação maior da virilidade (vide filmes pornôs que trazem como única possibilidade de virilidade o homem negro, relacionando o tamanho do seu pênis com aquela, constituindo o ideal de “animal sexual”).
Para aquele que achar uma bobagem de alguém que nada tem a fazer no seu dia-a-dia, ou que o tempo compreendido entre sua tarefas é a oportunidade adequada a entregar-se a devaneios inúteis, acho que deveria pensar melhor. Caso seja pertinente meu questionamento, seria prudente investigar por que somente esse tipo de variação é encontrado na oferta de pãezinhos nas padarias Brasil afora, sendo possível conformações paníficas as mais variadas possíveis, superando a cruel dicotomia queimadinho/clarinho. Àquele que acha que não existe racismo no Brasil, por favor lei o Ali Kamel, e poderá confirmar (através da inversão das conclusões, obviamente) que rapidamente entenderá o quão embrenhada em nossos espíritos essa bizarrice está.
Algumas hipóteses podem ser tiradas dessas parcas reflexões sobre o tema, o qual carece, obviamente, de sujeitos que pensem longamente sobre o assunto. Todavia, a questão não pode ser freada em um estágio ainda gestacional, e deve garantir-se que se desenvolva e busque respostas adequadas às importantes questões aqui mostradas. Se você acha que nada tem a ver com essa história e que tem um gosto independente de toda a exclusão social e preconceitos que bóiam na gordura fétida que é a nossa consideração sobre o outro, pense bem antes de escolher o seu pãozinho na padaria. Não se assuste se (ou quando) se perceber um racista daqueles!
Nenhum comentário:
Postar um comentário