quinta-feira, 18 de outubro de 2012

a dor que vem

a dor ressurge das formas mais inesperadas, e desperta o que relutamos em deixar adormecido, em pesadelos revoltos. o descontrole que ela traz nos joga ao chão como um terremoto, e invadem os mais remotos lugares da alma. ela faz lembrar sorrisos e lágrimas daqueles que gostaríamos de ter ao lado, e que o destino inexplicavelmente nos tira a oportunidade de fruir. a doçura da companhia de quem amávamos, e continuamos amando, fica como um filme que vimos só uma vez há muito tempo, na infância, mas que deixaram marcas profundas, imagens eternas.  o coração é torcido como se fosse uma roupa que sempre precisa ser lavada, fazendo escorrer uma lágrima reprimida com tanta dificuldade, e que exige a força e a vontade de seguir o caminho sem o amigo até então inseparável: o destino é insensível. sentir a ausência, a presença extirpada, é o que se tem para levar, e que as lágrimas sigam o caminho que precisam, e que continuem a limpar, a sempre relimpar, as ásperas areias de uma tragédia inexplicada. chore, sinta, e siga, pois um dia estará novamente com ela.